Outubro 8, 2007

A Insustentável leveza do ser – Confissões de Ricardinho II

 

Confesso ! sou humano, homem, menino,

Fraco, falho, vulnerável,

Vaso de barro, caído, quebrado, caco…

Anjo caído sem asas, garoto perdido de casa 

Confesso que sou mais fraco do que aparento,

que minha aparente fortaleza

se desvanece no ar

como neblina no sol da manhã  

Confesso que traio meus princípios

e sou traído por meus sentimentos

“O” confesso com os lábios  

“O” nego em pensamentos 

Confesso que nego a fé em atos e atitudes

quando sou tomado por paixões e desejos

sou como menino levado pelo vento

vencido por emoções e sentimentos 

Confesso que ela mexe comigo, musa do amor proibido

me turva os sentidos, me desperta a libido

me nubla a mente, me toma o coração

me trai a consciência, me tira o chão 

Confesso os pecados não confessados

Confesso que sou réu e culpado

Acusa-me a consciência

Assumo a culpa e a conseqüência 

Confesso, sou humano, homem, Menino, Ricardinho !

Setembro 13, 2007

My Dying Bride

 Ao longo da praia avisto seu corpo, deitado… nu

contemplo seu rosto, lindo… findo

seu cabelo, longo, como a noite… escuro

toco sua pele, branca, como a neve… fria

beijo seus lábios, cálidos… pálidos  

minha noiva, quase morta… morta

Julho 10, 2007

Olhos negros

Vinte e quatro de dezembro, meia noite, natal
ando pelas ruas, vejo a luz, nas casas, nas árvores
a luz fere meus olhos, meus olhos negros

o cabelo cai sobre o rosto como cortina a fechar
sobre os meus olhos me protegendo da luz
a luz fere meus olhos, meus olhos negros

a chuva fina molha minha cabeça
me batizando na noite
noite escura como meus olhos
a luz fere meus olhos, meus olhos negros

a noite se vai, a aurora desponta,
brilhando mais e mais
eu não aguento
a luz fere meus olhos, meus olhos negros

vinte e cinco de dezembro, meia noite,
ando pelas ruas, vejo a luz, nas casas, nas árvores
a luz não mais fere meus olhos, meus olhos negros

vejo a luz brilhar, deixo luz entrar
me batizando na luz
a luz não mais fere meus olhos, meus olhos negros

vejo o dia chegar, contemplo o sol a brilhar
meus olhos são como a luz da aurora,
que brilha mais e mais até ser dia perfeito
a luz não mais fere meus olhos, meus olhos negros

Julho 10, 2007

Pelos desertos da vida

Vive a vida, dia a dia, passo a passo
Um dia, mais dia, menos dia
Uma dose, mais doce, mais dores
Um trago, mais tragos, mais estragos

Uma noite, um quarto, uma mulher
Quem é ela ? Qual o seu nome ? Quem se importa…
Pela manhã, contempla-se no espelho,

nu, pobre, cego,

Oh homem! miserável, desvairado e louco
Até quando procurarás água

em meio a miragens ?

Não longe de ti um oásis de Água Viva,

Beba e viva
Ou morra de sede

pelos desertos da vida

Julho 10, 2007

Vaso de barro

Tu és pó, só, somente pó
tu és pó, pó do pó, ao pó,
tu é vaso de barro
caído, quebrado, caco
tu é fraco, eu sou forte
se fraco, sou braço
sê fraco, serei forte
tu és homem, Eu sou Deus